Fome

Hoje tenho fome de céu
Fome de mar
Fome de azul profundo
Fome de me afogar
Tenho fome de voar
Até aos confins do mundo

Hoje tenho fome de mim
Fome de imensidão
Fome de me perder
Tenho a fome de um vulcão
Fome de arder
Até ao fim

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A relatividade do tempo

Olhas o relógio e o tempo não passa…

Imaginas a montanha, o ar frio,

a sensação de teres de inspirar muito profundamente

para agarrares o oxigénio que precisas.

Sentes-te acalmar…

Imaginas o silêncio,

a grandiosidade da paisagem.

Só te apetece chorar de felicidade.

Imaginas um raio de sol

que te aquece a pele arrepiada.

Inspiras.

Expiras.

O coração bate muito devagar.

Imaginas aquele momento perfeito

em que a solidão te faz sentir uno

com o que te rodeia.

Olhas o relógio, e ainda não passou um minuto.

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Clarice Lispector

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.”

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Até quando?

Acordamos
E corremos
Olhamos para o chão e para o céu
E corremos
Amamos
E corremos
Choramos e sorrimos
E corremos
Damos as mãos
E corremos
Andamos Andamos Andamos
E corremos
Comemos
E corremos
Dormimos
E corremos
Passeamos Viajamos Descansamos
E corremos
Trabalhamos
E corremos
Escrevemos Ouvimos música Vamos ao cinema
E corremos
Respiramos
E corremos
Suamos Cheiramos Vemos Ouvimos Tateamos
E corremos
Morremos
E paramos

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Perdi-te…

Perdi-te no passar do tempo…

Nas horas em que não parei de pensar em ti…

Nos minutos em que esperei uma resposta tua…

Nos segundos em que procurei um teu olhar…

Perdi-te…

Será que algum dia te tive?

Será que algum dia te chegarei a encontrar?

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Outono

Depois do Verão as folhas começaram a cair como gotas de
chuva

Num aguaceiro suave de castanhos e dourados

O dia, ainda quente, dançava um slow

Enquanto, preguiçosamente, entrava no Outono

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Adormecer

Adormecer
Sentir que se perde lentamente a consciência
Caindo bem fundo dentro de nós
Os sonhos espreitam na boca do poço
Confundem-se com a realidade
Baralham-nos
Mas ao mesmo tempo, não queremos saber
O torpor encontra-se estabelecido no nosso corpo como quem vive ali há anos e não vai sair tão facilmente
Deixamo-nos ir
Deixamo-nos… adormecer
A consciência inconsciente
O sonambulismo de quem dorme acordado
E aqui estou, assim, hoje
À espera do tempo em que possa finalmente dormir, em paz.

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